Autoral Caxias do Sul

Não é sobre Fotografia, é sobre Pessoas!

Olá Pessoal,


Hoje a postagem é especial!


Queria falar um pouco sobre a oportunidade que tive de fotografar essas duas pessoas, que entraram na minha vida no ano passado. Como comentei na postagem do instagram, sou grato por muitas coisas que vivi no ano de 2018, mas com certeza a que me fez evoluir e ser melhor como ser humano, foi esta! 

Poder fazer parte de um projeto tão sério e tão preocupado com o ser humano. É muito fácil falar sobre "NÃO JULGAR", mas difícil de por em prática por todos nós. As pessoas na rua acabam tornando-se invisíveis, pois de tão corriqueiro que é encontrar um morador de rua, as pessoas acabam acostumando com isso e ignorando o rapaz sentado a calçada. Mas você sabe por que esta pessoa está ali? Você parou pra pensar no sofrimento que ela pode estar passando? Não vamos a uma realidade muito distante, mas coloque-se na seguinte situação:


- Você é um trabalhador, solteiro (ou casado), mora de aluguel, possui uma família pequena e uma condição de vida razoável. Em determinado dia você acorda sem a família, pois tragicamente eles faleceram em um acidente terrível. Por conta de tudo isso você raspa suas economias, fica um tanto quanto depressivo e é demitido do seu emprego.

Uma barra um tanto quando forte para você aguentar, por isso eu pergunto. Você aguentaria essa barra?


Muitos que estão na rua, não possuem mais família, ou passaram por uma situação muito difícil que os levou a parar na rua. NEM TODOS SÃO DROGADOS! Muitos são pais, filhos, maridos, pessoas que sofreram uma dor muito forte, ou conviveram em uma família totalmente desestruturada.


E você achando que ele está ali por que é um vagabundo da rua. NÃO!! Ele é um ser humano, que possui sentimentos e que sofre até hoje por uma dor terrível. E também não cabe a nós julgar se ele é usuário ou não, afinal muitos de nós quando não estamos bem, vamos ao barzinho tomar aquela acahaçada para afogar as mágoas, então imagine quem está morando na rua o quando é dificil sobreviver sem "anestésicos". 


Confesso que não conhecia a realidade das ruas, até por que ela não aparece até você estar na rua e ver a realidade para fora da sua janela. Hoje sou uma pessoa infinitamente melhor por entender que sou abençoado pela vida que eu tenho, por ter uma cama quentinha e comida. Mas sou mais abençoado ainda por poder ajudar quem está na rua e quem precisa de um pouquinho de atenção e menos julgamento. 


Seu Valdo e seu Liba, duas pessoas incríveis que moram na rua e que sem dúvida convivem com uma dor sem precedentes dentro de si. A rua tem muito coração, tem muita fome e tem muitas pessoas que precisam de nós. Eu aprendi que a dor do outro pode ser amenizada se tentarmos entendê-lo e ajudá-lo, mesmo com o pouco que temos muitas vezes, o importante é que seja feito com amor! Obrigado @cafesolidariocaxias por me fazer cada dia melhor!


Deixo esta reflexão para que você pense nos seus valores e no que você está fazendo pelo próximo. 


Falar é fácil, agir é bem diferente.


Abraços a todos!


PS: Imagens publicadas com a autorização dos moradores e do fundador do Projeto Jean Kullmann.


Eduardo de Moraes